O Frampton classificou o Siza de Regionalista Crítico. Apesar de incomodado, o Siza entendeu o "Regionalismo Crítico" como uma atitude de "bom senso". É possível classificar a sua Obra dentro do "Regionalismo Crítico"?

Todas as pessoas quando as metem num ficheiro sentem que as estão a limitar; e o Siza reagiu em relação ao "Regionalismo Crítico"; se fosse "Expressionismo Abstrato" também reagia. ( ... ) No outro dia estive a ler um livro sobre o Regionalismo, e penso que este não existe no sentido em que, por exemplo, se formos a ver o Movimento Moderno está cheio de "Regionalismos". Basta ler a Carta de Atenas e depois ver a Vila Mandrot.

Como reage à internacionalização da sua Obra?

O que significa um muro de pedra em relação a um alemão ou a um francês? É um objeto de interesse pictórico? Gosto arqueológico? &endash; "Olha parece impossível como hoje, nos anos noventa ainda se consegue fazer isto!" &endash; Penso que quando me pedem para publicar um projeto numa revista na Suíça ou na Holanda, não é por ser um arquiteto esquisito, que faça obras esquisitas, desajustadas no tempo, mas pelos problemas que esse muro de pedras transporta. O interesse que possa haver em torno da minha Arquitectura não é por ela em si, são os problemas que se levantam neste momento, que penso serem comuns a outras pessoas: É o desajuste entre materiais e sistemas construtivos; é o pressuposto de dados objectivos e subjectivos para se fazer um projecto; é a relação dos sítios, das culturas pontuais ou regionais, e como elas se podem transformar num discurso aberto e colectivo. Gosto do Jean Nouvel; mas se me perguntar se gosto imenso do Nouvel, gosto de algumas obras e de outras não gosto nada. A mim o que me interessa são os problemas que ele levanta, ainda que por vezes não goste do resultado. Mas é raro haver uma ou outra obra do Nouvel que não seja uma tentativa de resposta a um problema concreto do nosso tempo. Isto é a diferença que existe, para mim, entre o Nouvel e o Foster. O Foster faz uma operação de apuramento de desenho que é desajustada para o País e para a nossa cultura. O Nouvel não. O Nouvel faz um desenho para tentar resolver um problema, depois tem desvios (como toda a gente). Não é ironia, mas o Foster acaba por ser mais formalista.

[" A ambição à obra anônima" - entrevista a Paulo Pais in TRIGUEIROS, Luiz (ed) : Eduardo Souto de Moura. Lisboa, Editorial Blau, 1996.]

 

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